Golpe de Estado, golpe da vida: depoimentos de 11 de abril

13 abr

Quais são as lembranças dos chavistas de 11 de abril de 2002? O que os faz seguir apoiando o projeto de Chávez 11 anos depois?  

Confira os depoimentos colhidos entre os milhões de chavistas que foram às ruas de Caracas para o fechamento da campanha de seu candidato nesta quinta-feira, também 11 de abril.
Leonardo Wexell Severo e Vinicius Mansur, de Caracas, Venezuela.
Após serem atingidos por um golpe de estado em 11 de abril de 2002, milhares de chavistas foram às ruas de Caracas para reconduzir Hugo Chávez à presidência da Venezuela. Nesta quinta-feira, em um 11 de abril 11 anos depois, os chavistas, recém-atingidos por um golpe da vida, voltaram às ruas de Caracas em milhões para encerrar a campanha eleitoral de seu candidato, Nicolás Maduro.
Quais são as lembranças do 11 de abril de 2002? O que os faz seguir apoiando o projeto de Chávez 11 anos depois? Confira os depoimentos colhidos pela reportagem.
 
 Foto: Vinicius Mansur
Erica Castro, estudante de Turismo,17 anos, disse não se lembrar do golpe de 2002, mas credita aos pais o estímulo a participação política. “Me ensinaram ver as coisas boas e más da revolução. E acho o chavismo a melhor opção.”
Já sua mãe, Rosa Castro, 51 anos, deu os créditos à Chávez. “Vim para respaldar o presidente, que está aqui! No meu coração, na minha alma, nas minhas vísceras, como dizia ele. Em minha pele, nesta tatuagem que tenho, no meu sentimento. Eu vou apoiá-lo até o dia que eu morra. Porque ele não está morto. Ele se vai quando morra eu. E ficará entre os demais.”
 
Foto: Joka Madruga
Rosa Mendoza, liderança comunitária, 57 anos:
“Nos meus 57 anos, guardo recordações muito más. As daquele 11 de abril foram terríveis com toda a perseguição e repressão que se seguiu por parte dos golpistas contra os apoiadores do presidente. É importante lembrar, também, que muitas pessoas foram enganadas, estimuladas pela distorção e desinformação dos meios de comunicação. De lá para cá nosso país avançou muito, as pessoas despertaram e agora temos essa união que nos faz cada vez mais fortes. Então, muito mais do que garantir água, luz, educação e saúde, o que o processo revolucionário nos deu foi dignidade.”
 
Foto Leonardo Wexell Severo
Bismark Vargas, operário da construção civil:
“A mobilização e a união do nosso povo, essa foi a maior conquista que nos deixou o presidente Chávez. Nosso voto será em Maduro para continuar avançando esse processo, para seguir transformando o país.”
 
Foto: Leornardo Wexell Severo
Gleiver Pino, técnico em telecomunicação:
“A união do povo foi o maior legado do presidente Chávez. Agora nos cabe seguir juntos, caminhando rumo ao socialismo.”

 
Foto: Joka Madruga
Ramona Helena Martines, 69 anos:
“Por mais que Chávez tenha trabalhado de forma incansável pela terceira idade, garantindo o pagamento de pensões e valorizando conforme o aumento do salário mínimo, o maior bem que nos fez foi a Constituição.  São os nossos maiores direitos, que me acompanham para onde vou. Sempre comigo”

 
Foto: Joka Madruga
Maria Conceição Herrena, aposentada:
“Tenho 82 anos, sou madrilenha e vivo há mais de 40 na Venezuela. Vi o que foi a tentativa de golpe contra Chávez no 11 de abril de 2002, assim como lembro da tragédia do governo fascista de Franco na Espanha. Capriles, esse menino riquinho, me lembra ele. ”

Assista ao depoimento do venezuelano Iván González em homenagem a Chávez

13 abr

Abaixo o vídeo e o texto do depoimento do venezuelano Iván González durante o ato político em 05/04/2013, em São Paulo/SP, em apoio a Nicolás Maduro e em homenagem a Hugo Chávez.

O ato foi promovido pela “Campanha Brasil com Chávez ESTÁ COM MADURO”.

cabezal-facebook_C-M“Agradecemos pela oportunidade de falar neste ato de solidariedade com nosso país.
Também pela solidariedade demonstrada pelos movimentos sociais, partidos políticos e pelo povo brasileiro perante a perda de nosso comandante, Hugo Chávez Frias.
Como já é do conhecimento de todos e todas, a importância do líder da revolução bolivariana marcou de forma indelével o nosso passado recente, o presente e o nosso futuro como nação e como povo.
Junto à Chávez o povo Venezuelano reencontrou o sentido de sua pátria. Pátria que é a reivindicação de seus próceres e heróis, como Bolívar, Miranda, Sucre e Zamora, na sua contribuição para a independência e emancipação de nosso país e construção do sonho traido da grande Colômbia.
Somos pátria nos milhões de homens e mulheres que hoje são reconhecidos em seus direitos econômicos, sociais e culturais.
Na juventude que se sente identificada e comprometida ao ser protagonistas da construção de um novo país, que os reconhece na sua rebeldia, criatividade e alegria.
Nas crianças que nasceram e cresceram rodeados de tudo aquilo que lhes permitirá ser parte do país do futuro, generoso de uma nação voltada a servir seus filhos.
Em nossas idosos que hoje são abrigados e beneficiados, após ter servido seu país.
Hoje somos pátria porque a Revolução Bolivariana nos ajudou a recuperar nossa identidade, diversidade e riqueza cultural, étnica, racial, e também a nossa riqueza natural que hoje está ao serviço do povo e não de uma pequena elite.
Companheiros e companheiras brasileiras, mesmo processando a dor pela ausência física de nosso Comandante, temos absoluta certeza de que hoje milhões de Chávez andam pelos campos e pelas cidades da Venezuela e garantem que nossa pátria nunca mais se distanciará de seu caminho de dignidade, independência e soberania.
Neste 14 de abril, derrotaremos o projeto de elites do império e seus aliados da direita internacional, como o fizemos faz onze anos no Golpe de Estado promovido por aqueles que hoje se disfarçam de democratas.
Cumpriremos com o mandato que nosso Comandante Presidente nos deixou e elegeremos ao companheiro Nicolás Maduro para a presidência da República Bolivariana da Venezuela, para continuar construindo o grande projeto de emancipação, dignidade e os direitos de todos os povos da Nossa América.

Pátria Socialista, Viveremos e Venceremos!!!
Con Chávez y Maduro el pueblo está seguro!!!

Iván González Alvarado”

Daniel Viglietti: “Processos revolucionários como o venezuelano têm uma luz que ilumina o invisível”

12 abr

 

 
Foto: Joka Madruga

Renomado músico e compositor uruguaio está em Caracas cantando por Maduro e pela integração latino-americana

Por Leonardo Wexell Severo e Vanessa Silva, de Caracas – Venezuela
Fonte: ComunicaSul – Comunicação Colaborativa

Autor de clássicos latino-americanos como “A desalambrar”, “Canción para mi América” e “El Chueco Maciel”, Daniel Viglietti dispensa comentários pela beleza e contundência de suas canções. Uruguaio de nascimento, mas filho da “nossa América” – como faz questão de dizer para contrapor-se àquela do Império -, tem sua reconhecida e premiada obra embalado corações, animando o amor e a luta presentes, com seu canto armado de futuro.

No Brasil, infelizmente, a lógica anti-integracionista e alienante dos grandes conglomerados de comunicação silenciam sua voz e seus dizeres, repletos de convicção no ser humano, na força da solidariedade e da unidade. Confiante na capacidade coletiva de romper barreiras e superar desafios, Viglietti está em Caracas, apoiando a eleição de Nicolás Maduro.
Entre os muitos êxitos da revolução bolivariana está o avanço da reforma agrária, o combate ao latifúndio, e a distribuição de terra e justiça. Aqui o governo não empanturra com dinheiro público o agronegócio – com seu monocultivo e seus agrotóxicos – nem dá sinal verde à especulação com alimentos nas bolsas de valores. A reforma agrária é justa e necessária, sublinha Viglieti. Afinal, “si las manos son nuestras/es nuestro lo que nos den”.
Abaixo, a entrevista com Daniel Viglietti.
ComunicaSul: Companheiro Daniel, tens em tuas canções a marca da integração e da solidariedade. Como sentes esta responsabilidade?
Daniel Viglietti: Sempre senti que tinha duas pátrias. Uma, a de nascimento, o Uruguai, e outra pátria a latino-americana que gosto de chamar de “nuestroamericana” (nossamericana). Inventei esta palavra a partir da expressão de José Martí [que contrapunha a Nossa América, a América deles, do império do Norte]. Percebi que as fronteiras são artificiais além da língua e da cultura, que têm seu peso em diferentes regiões, mas estas fronteiras, as aduanas, os escritórios de imigração são invenções feitas para nos dividir. Quando entro no Brasil, na Venezuela, em Cuba ou em tantos países progressistas, sinto que é irreal precisar de passaporte. A canção não tem que pedir vistos para entrar em lugar nenhum. A música entra naturalmente e, quando é necessário, se traduz, como fiz como algumas canções do meu amigo Chico Buarque.
A circulação de música, da cultura, é totalmente livre. No entanto, me sinto cada vez mais “nuestroamericano”, embora meu nascimento, minha nacionalidade seja uruguaia.
Na Venezuela o governo Chávez tomou medidas como a Lei de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão (Resorte), que ampliou os espaços para a música nacional e regional no conjunto dos meios de comunicação, o que fez aflorar uma variada gama de artistas. Como avalia esta medida?
Há um processo de transformações, com tendência  revolucionária na Venezuela que tem a ver com a luz que ilumina o invisível em muitos planos. Dos povos originários, das classes populares, das populações chamadas “marginais”, quando na verdade elas são fruto de sistemas que marginalizam as pessoas. O invisível da cultura é uma das luzes que este processo está identificando, dando voz a cantores, grupos, coletivos… Há um caso muito importante aqui na Venezuela da geração de Alí Primera, Cecília Todd, Lilia Vera, e fenômenos mais jovens, garantia da continuidade. Isso nos mostra como a cultura pode se renovar e de como é bom que a cultura – não necessariamente planfetária ou supra-oficialista, mas a criativa, que busque linguagens – fique iluminada por estes processos. Há aí um contraponto à concepção reacionária, baseada em valores que semeiam a escuridão.
Na sua compreensão, qual o papel da democratização da comunicação para que nos conheçamos melhor, enquanto países e povos, já que a grande mídia trabalha dia e noite contra a integração?
Creio que também este aspecto está ligado ao anterior: cultura e comunicação. Acho que uma proposta como a TeleSUR, que é um canal “nuestroamericano”, onde as pessoas podem se informar sobre o que passa no continente, deveria ser vista livremente em nossos países. Cito o caso de Montevidéu.  Na capital uruguaia, para poder ver a TeleSUR tens que alugar um cabo argentino. São medidas que faltam ser tomadas. Esse é um exemplo claro do que é possível fazer em matéria de comunicação.
Estou contente de trabalhar com a Rádio Nacional da Venezuela com o programa Tímpano, que também se faz no Uruguai, na Argentina, Quem sabe um dia teremos também no Brasil, com “legendas” [risos]. Estou contente de estar aqui com os sem-terra, porque sei o que significa em um país continente como o Brasil a luta por mais justiça, pela distribuição da terra, metaforicamente pela distribuição “da selva”. Me alegro desta coincidência.
Venho do Uruguai onde se fez uma homenagem a Chávez em um povoado pequeno que se chama Bolívar e nosso presidente esteve presente. E homenageou também cantando a memória de Chávez. Eu estreei uma canção que coloquei o nome bolivariana. A cantei ontem na TeleSUR e cantarei hoje. Creio que será o maior ato do qual terei participado em minha vida e terei que tratar de cantá-la com um quatro. É um instrumento de grande riqueza, eu o uso modestamente, mas dá um colorido diferente para a canção. É uma honra estar aqui com todos que apoiam esta eleição, tão limpa que foi até elogiada pelo ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter. Frente ao cinismo, a desfaçatez e ao ódio destes que são capazes de coisas terríveis – e temos que estar atentos a isso – precisamos continuar unidos. Logo nos veremos em meio à alegria coletiva.

A festa da democracia toma as ruas de Caracas

12 abr

Por Renata Mielli, de Caracas / 

Fotos: Renata Mielli e Vinícius Mansur
Nesta quinta-feira (11), o povo venezuelano mostrou ao mundo que as lideranças políticas são fundamentais, mas que a consciência forjada em 14 anos de revolução bolivariana é a base da formação do principal protagonista do processo político em curso na Venezuela: o povo.

                                    
E foi este povo que ocupou dezenas de quilômetros de ruas e avenidas de Caracas para demonstrar seu apoio irrestrito à revolução, sua lealdade ao Comandante Hugo Chávez e gritar bem alto que “Chávez, te lo juro, mi voto és pá Maduro”.

Desde muito cedo, por volta das 5 horas da manhã, carros percorriam as ruas da cidade tocando músicas tanto da campanha de Chávez como da de Maduro. Sete das principais avenidas da capital foram tomadas por uma avalanche de pessoas vestindo vermelho, festejando com alegria as conquistas que foram alcançadas pela revolução. No metrô, repleto de chavistas, gritavam: viva, viva, viva a Pátria Socialista! Entre os vários adereços da campanha, um sobressaía: o bigode de Maduro. Em pinturas nos muros, nos rostos de homens e mulheres.

O mesmo carinho que o povo dedicava à Hugo Chávez, estava visível nos rostos das pessoas neste dia. Maduro, percorreu as avenidas num carro aberto, cumprimentando a população, até chegar ao palco principal do Ato de Encerramento da campanha, na Avenida Bolívar. Antes do discurso de Maduro, vários artistas se apresentaram. Diego Maradona estava presente e deixou sua saudação, levantando a multidão.

Entre os oradores, o governador do Estado de Barinas, Adan Chávez, irmão de Hugo Chávez, reiterou o seu apoio à Maduro. No palco, ao lado de Nicolás Maduro, as filhas e o neto de Chávez, que têm acompanhado o presidente por toda a Venezuela.
                          

As lágrimas e o sorriso se misturaram nos rostos de todos, quando um vídeo do último comício de campanha de Chávez – a última aparição pública do ex-presidente – foi mostrado no telão do palco principal. O Comandante cantava o hino nacional, sob a chuva que banhou a cidade naquele dia. Neste momento, um coro de centenas de milhares de pessoas acompanhou o ex-presidente.

O ato de encerramento de campanha terminou depois das 20 horas. O povo continuou nas ruas, cantando e dançando noite a dentro.
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