Portal Vermelho: “Presente e futuro da humanidade passam por socialismo de Chávez”

21 ago
Confiram a entrevista que o Portal Vermelho fez com o deputado venezuelano do PSUV, Roy Daza. Ele comenta a entrada da Venezuela no Mercosul e mostra os avanços que o país tem conquistado no governo de Hugo Chávez. E destaca: “Dez anos atrás, na Venezuela, existia uma situação de pobreza crítica extrema de 27%. Hoje reduzimos a 7%. No próximo mandato de Chávez, devemos superá-la de maneira total.”
20 de Agosto de 2012 – 17h15

“A entrada da Venezuela no Mercosul é a mais ressonante vitória que a politica exterior do presidente Chávez teve”. Assim, o deputado venezuelano do PSUV, Roy Daza, iniciou a entrevista que concedeu ao Portal Vermelho na última sexta-feira (17), no Hotel Braston, em São Paulo. O comandante Hugo Chávez disse claramente que “Nosso Norte é o Sul”, completou.

Por Vanessa Silva, do Portal Vermelho

ChávezMoradores do estado de Bolívar em comício de apoio a Chávez

A Venezuela participa como país observador no Mercosul desde 2006 e integra oficialmente o bloco desde 1º de agosto deste ano, como lembrou Daza. Sua incorporação plena era impedida por ação do Congresso Paraguaio – parlamentares do Brasil, Argentina e Uruguai já haviam aprovado seu ingresso. Com a suspensão do país mediterrâneo, após o golpe de Estado que destituiu o presidente Fernando Lugo, os integrantes do bloco acionaram o Protocolo de Ushuaia (1998) e suspenderam o Paraguai do Mercosul, abrindo assim caminho para a incorporação da Venezuela.

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O impacto maior desse processo é econômico. Para Daza, o Mercosul vai contribuir para o desenvolvimento da economia produtiva e rentista do petróleo – maior fonte de divisas para o país – e levar adiante a economia não petroleira. “Agora fazemos parte do maior mercado desta zona do mundo, além de estabelecer vínculos mais estreitos com Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai para resolver o problema (…) da produção de alimentos.”

Avanços sociais

Outro aspecto importante é o impacto político. Esse foi “um passo a mais na unidade latino-americana em um momento de crise mundial do capitalismo”. Com a exceção temporária do Paraguai, “todos os presidentes do Mercosul são de esquerda, e orientam seus governos para resolver o problema da inclusão”. Temos ritmos diferentes de resolver as coisas, “mas todos temos um mínimo denominador comum: que é desenvolver uma política econômica dirigida a solucionar os graves problemas da desigualdade que há em nossos países e acabar com a pobreza, tanto geral quanto crítica”.

Dez anos atrás, na Venezuela, existia uma situação de pobreza crítica extrema de 27%, lembra o deputado. “Hoje reduzimos a 7%. No próximo mandato de Chávez, devemos superá-la de maneira total. Para isso nos serve muito a cooperação com os companheiros de Brasil, Argentina, Uruguai e, inclusive, do Paraguai.”

Questionado sobre a possibilidade de o Mercosul atuar também neste aspecto social, nos moldes da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba) – que troca atendimento de médicos cubanos por petróleo para a ilha caribenha – Daza ressalta que esse tipo de cooperação já acontece: “o Mercosul, tanto para a Venezuela, quanto para os outros membros, deve enfatizar que a questão dos trabalhadores deve estar à frente do bloco”, completa.

Governo cidadão

Em 1999, Chávez é eleito com a promessa de “romper com o passado” e para isso é aprovada uma nova Constituição, que estabelece a mudança de uma democracia representativa, para uma democracia participativa e protagonista. Doze anos depois, Daza esclarece que o “fortalecimento da democracia” é a maior conquista em todo esse processo. “Temos um conceito muito importante que é o Estado de Direito e Justiça, um conceito que fundamenta” o fato de a “democracia na Venezuela ser exercida diretamente pelo povo mediante voto ou referendo: as grandes decisões políticas do país, tanto as que ganhamos, quanto as que perdemos, foram tomadas pelo povo venezuelano”, orgulha-se.

Outra instância consultiva são os Conselhos Comunais, que segundo a lei Orgânica dos Conselhos Comunais são: “[…] instâncias de participação, articulação e integração entre os cidadãos, cidadãs e as diversas organizações comunitárias, movimentos sociais e populares, que permitem ao povo organizado exercer o governo comunitário e a gestão direta das políticas públicas e projetos orientados a responder às necessidades, potencialidades e aspirações das comunidades”. Esses conselhos são a base sociopolítica do socialismo bolivariano.

Hoje, segundo Roy Daza, existem 52 mil conselhos comunais em todo o país com “um grande impacto na política nacional porque são organismos executivos com financiamento, não são só deliberativos. Os conselhos têm autonomia para projetos de melhorias comunitárias”.

Futuro da Revolução

Sobre os rumos futuros que o país deverá priorizar neste novo mandato, ele avalia que é necessária uma “transformação profunda do Estado venezuelano, que podemos chamar de um Estado Comunal, ou seja, é uma elevação do grau da participação dos cidadãos nas decisões públicas. Em segundo lugar, ter um nível de desenvolvimento econômico, agora com entrada do Mercosul, muito maior que nos permita superar a pobreza”.

Assinalou ainda que “devemos lutar no mundo e em nosso país para que o mundo se dê conta de que esse modelo chegou ao limite, precisamos de um desenvolvimento que seja coerente com a preservação do planeta Terra, do meio ambiente. Como condição para isso precisamos preservar acima de tudo a independência do país. Por fim, nós definimos para o próximo período a prioridade de aprofundar a construção do socialismo na Venezuela. Nós estamos absolutamente convencidos que a estratégia socialista, o rumo socialista traçado pelo comandante Chávez são o presente e o futuro da humanidade”.

Essa trajetória rumo ao socialismo parece estar no caminho certo, observa o venezuelano. “Sem dúvida, houve um grande aumento da consciência política das pessoas. A maioria determinante no país apoia não somente o presidente Chávez, mas neste momento, temos um fato histórico: 52% dos venezuelanos apoiam o socialismo como modelo político. Isso em um país onde há liberdade de associação, liberdade de expressão, onde os meios de comunicação atuam todos os dias fazendo campanha de seus candidatos…”

Integração latino-americana

O sonho de uma América Latina unida vem desde o século 19, com o processo de independência da Península Ibérica. O principal herói deste processo, Simón Bolívar, no fim da sua vida, chegou à conclusão de que isso seria impossível, seria como querer “arar o mar”. Sobre essa frase, o deputado socialista considera que hoje “nós marchamos para a criação de uma confederação de Estados sul-americanos. Vamos construir um novo tipo de Estado pelo menos na América do Sul”.

Fazendo a diferenciação histórica, ele observa: “hoje todos coincidimos com a integração. Não é um pleito de Artigas, Belgrano, de Simón Bolívar. O pleito deles foi da união, nós propomos a integração, o que é diferente. Com a chegada de Lula à Presidência, podemos dizer que de 2003 até 2012 a América Latina, particularmente a América do Sul, está mais unida que nunca. É um processo complexo, difícil, contraditório, claro, mas estamos concretizando este projeto”.

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